R-22, R-410A e R-32: os gases do ar-condicionado e por que eles importam

O ar-condicionado não "fabrica frio". Ele transporta calor de dentro para fora, e quem faz esse transporte é o gás refrigerante, um fluido que evapora dentro da evaporadora (absorvendo calor do ambiente) e condensa na unidade externa (liberando esse calor na rua). O tipo de gás define eficiência, impacto ambiental e o que o instalador precisa saber.

Os três nomes que você vai encontrar

  • R-22: o gás dos aparelhos antigos. É um HCFC, que agride a camada de ozônio, e está em eliminação no Brasil pelo Protocolo de Montreal. Equipamentos novos não usam mais R-22, e a recarga em aparelhos antigos fica cada vez mais cara e difícil.
  • R-410A: substituiu o R-22 e ainda equipa muitos modelos. Não agride o ozônio, mas tem potencial de aquecimento global (GWP) elevado, em torno de 2.000. Trabalha em pressões maiores que o R-22, por isso os componentes e as ferramentas são diferentes.
  • R-32: o padrão dos inverters mais novos. GWP em torno de 675, cerca de um terço do R-410A, e melhor eficiência energética, o que permite aparelhos mais compactos e com menos carga de gás. É levemente inflamável (classe A2L), o que exige alguns cuidados adicionais do instalador, mas é seguro em uso doméstico normal.

Por que o gás afeta a instalação

R-410A e R-32 trabalham em pressões mais altas e não toleram umidade ou ar na tubulação. Por isso a instalação correta exige vácuo na linha com bomba de vácuo e vacuômetro antes de liberar o gás. "Purgar com o próprio gás", prática comum na época do R-22, contamina o sistema, reduz a eficiência e pode queimar o compressor. Se o instalador não tem bomba de vácuo, procure outro.

Os gases também não são intercambiáveis: um aparelho de R-410A não pode ser carregado com R-32 nem o contrário. O tipo está na etiqueta da condensadora e na ficha técnica; na BraseLar ele aparece nas especificações de cada produto.

"Meu ar-condicionado precisa de recarga todo ano"?

Não deveria. O circuito é fechado: se o gás acabou, houve vazamento, e a recarga sem consertar o vazamento é dinheiro jogado fora, além de agressão ao ambiente. Sinais de pouco gás: aparelho ligado que não gela, gelo na tubulação ou na evaporadora, condensadora funcionando com a evaporadora soprando ar quente. Peça ao técnico para localizar e corrigir o vazamento, refazer o vácuo e só então recarregar, pesando a quantidade indicada na etiqueta.

Impacto ambiental e descarte

Nenhum desses gases deve ser liberado na atmosfera. Na troca de aparelho ou em manutenção, o gás precisa ser recolhido em cilindro por profissional. Optar por um modelo R-32 é a forma mais simples de reduzir o impacto: menos gás por aparelho e menor GWP.

O que isso muda na sua compra

Prefira modelos com R-32 quando houver a opção; confirme que o instalador trabalha com vácuo e tem experiência com o gás do aparelho; e guarde a etiqueta de carga (em gramas) para futuras manutenções. Veja os splits inverter e os insumos de instalação na BraseLar.